quarta-feira, 4 de julho de 2012

A Glória de Deus - Kabõd Javé!


Pensar na Kabõd de Javé é pensar na sua transcendência, assunto evitado por muitos pastores e estudiosos por ser totalmente incognoscível a mente humana.
Melhor pensar na imanência divina, perfeitamente ilustrada na figura de Cristo, Jesus.
Os pastores evitam a transcendência de Deus por ser um verdadeiro suicídio profissional, afinal, precisam de ovelhas que não se sintam perseguidas por um Deus implacável e não querem que sua congregação viva uma montanha russa espiritual.
Infelizmente não pensar na transcendência de Deus faz vítimas. A primeira delas é o silêncio reverente e o fascínio radical diante da bondade infinita de Deus (gratidão). Temor do Senhor é um elemento em escassez nos nossos Arraiás.
Faz-se de tudo, menos contemplação e solitude diante da transcendência divina. Se fizéssemos uma experiência, nossa igreja não ficaria 15 segundos em silêncio total, contemplando Deus e olhando para dentro de si, inventariando nossa vida (como nos 12 passos dos Alcóolicos Anônimos), buscando prós e contras à uma vida cristã autêntica e saudável.
Por ironia, a própria igreja muitas vezes nos impede de olhar para dentro e para cima.
O escritor Parker Palmer, diz:

"Muitas vezes a própria igreja é inimiga de nossa solitude é mais um agente na grande conspiração social de reuniões e de ruídos que visam distrair de um encontro com nós mesmos. A igreja nos mantém ocupados com esta ou aquela comissão, tentando conferir sentido por meio da atividade, até que nos "esgotemos" e nos afastemos da vida da igreja. Até mesmo em seu ato central de culto, a igreja dá pouco espaço para a jornada silenciosa e solitária voltada para nosso interior." (grifo meu)

Quando a GLÓRIA DE DEUS TRANSCENDENTE, A KABÕD DE JAVÉ, está fora de nossa pauta, nossa atenção se volta para o comportamento humano, para o cultivo de virtudes e para eliminação de defeitos, para a qualidade do discípulo e assim por diante. (Brennan Manning - Confiança Cega, pág. 89).
Essa descrição se encaixa perfeitamente quando vejo o pastor afirmando que tem a lista na cabeça dos que frequentam as reuniões de oração ou não frequentam, daqueles que faltam as atividade mas querem participar dando opiniões, ou  quando vejo outros irmãos pesquisando para saber quem vem à EBD e quais são ofertantes os dizimistas, entre outras coisas.
A responsabilidade pessoal passa a ocupar o lugar da resposta pessoal diante de Deus (que deveria nortear meu comportamento na igreja, afinal não vou à igreja para marcar ponto ou manter meu ministério, antes vou para adorar a Deus), e mergulhamos em nossos próprios esforços para crescer em santidade. Eu já fui assim e por vezes sou pego querendo voltar a ser.
Brennan Manning vai chamar isso de espiritualidade desequilibrada, onde o que fica em primeiro plano é o moralismo. Isso significa dizer que Deus é usado como "ameaça" por causa da disciplina. É como uma criança sendo educada, onde os pais, que já perderam a autoridade própria, usam Deus para amedrontá-la dizendo  que Deus desaprova isso ou aquilo. Já na escola o professor, também sem autoridade, usa Deus para que seus caprichos meticulosos sejam cumpridos. No ensino médio, os pais e professores, sem autoridade, usam Deus para dizer que sexo, bebida e drogas desagradam a Deus. Na igreja, Deus é usado para dizer que o esvaziamento numérico é anti-bíblico e que não dizimar ou ofertar é causa de imaturidade. Na adolescência e juventude, percebem que Deus foi usado para ameaçá-los de terem outros comportamentos dos quais seus pais ou líderes julgavam inadequado, mas como não sabiam falar, ou não tinham autoridade, DEUS foi usado para motivar esses comportamentos.
Esse doutrinamento ignorante leva as pessoas a terem medo de DEUS e obviamente nunca confiarão em alguém que tem medo!
O moralismo e seu filho adotivo, o legalismo, pervertem o caráter da vida Cristã. Na verdade quando fazemos isso, transformamos Deus naquilo que nós somos! Pequenos, ignorantes, orgulhosos, mesquinhos, entre outras coisas.
A perda da transcendência tem deixado um rastro de cristãos desconfiados, cínicos e revoltados contra um Deus, criado por bibliólatras arrogantes que alegam saber exatamente o que Deus pensa e planeja fazer.
Graças a Deus, Deus não pode ser "previsto", pois um universo inteiro não seria capaz de contê-lo, devido a sua imensidão! 
Melhor mesmo é  lembrar de Cristo, Jesus, a imanência de Deus. O Deus conosco! Enquanto nos assustamos pensando num Deus tão grande, nos horrizamos com tantos ignorantes no nosso caminho, nos acalmamos pensando no Deus - humanizado na pessoa de Jesus.
Deixando de lado um deus pregado com canções como "cuidado maozinha no que pega...olhinho no que vê.. pois o salvador do céu está olhando pra você..." apeguemo-nos ao Deus de amor incognescível, que deu seu único filho para nos salvar, que nas palavras de Spurgeon "morreu por nós enquanto ainda éramos pecadores e estávamos fracos". Confiemos Nele e vivamos felizes!

Lembremo-nos que "O Cristianismo não é uma mensagem na qual se deve crer, mas uma experiência de fé que ser transforma numa mensagem" (Edward Schilllebeeckx)

Lembremo-nos que nas escrituras sagradas, conhecimento não é como pregado na cultura ocidental que é aquele adquirido através da apreensão intelectual da realidade, ou seja, a afirmação que a mente faz de uma verdade percebida, mas antes entendamos que conhecimento pela Bíblia Sagrada é pratico e surge da experiência com Deus em fé e em amor, ou seja, é fruto de um encontro de fé com Jesus Cristo.

Permita que Deus te transforme com sua Kabõd, permita que Javé te transforme e então, afirme como Tomé " Senhor meu e Deus meu!"


Do seu amigo e irmão
Moises

2 comentários:

  1. Boa tarde irmão!
    Eu não vi no seu blog a opção: SEGUIR
    Gostaria de faze-lo.
    Fica esta ninha sugestão.
    Abraços,
    Norisa Ribeiro

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    Respostas
    1. Minha irmã, já estão disponibilizados diversas opções para "seguir". Grande abraço. Fique com Deus.

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